Do que aprendi com meu primeiro emprego

Te falar, viu, não foi fácil. Mas foi uma puta experiência.

Meu primeiro emprego foi logo um trampo que me fez suar a camisa, literalmente (o ar condicionado deu pra quebrar nas últimas semanas). Subi escada, desci escada, me enfiei em cantos escuros pra achar um tamanho específico de cueca…

Ah, pra quem não sabe, meu primeiro emprego foi como vendedora de loja. É, isso aí, bem longe da minha área, e um trabalho danado. Vamos começar do começo.

Quando fui atrás de um emprego, foi naquela onda de “vou ganhar minha própria grana, e vai ser temporário, então joga o currículo no vento e vê quem cata primeiro”. E foi assim que eu comecei a trabalhar. Logo na entrevista veio o primeiro aviso: “Olha, você vai ralar muito, vai cansar, e às vezes vai querer desistir, mas vai ser uma experiência única.” E foi.

Entrei já entrando, pique: tive que correr atrás pra aprender a mexer em sistema de venda no computador, fazer venda online, dobrar roupa (minha mãe deve ter achado essa parte hilária), arrumar pilha de camisa, saber onde fica cada uma das 10 mil peças que existem na coleção e como cada uma é dobrada (sim, dobras diferentes), se são expostas aos pares, ou sozinhas, ou com um acessório pra acompanhar, como montar uma vitrine; Depois no mês que vem, troca tudo que chega coleção nova…

Olha…

Ah, vocês devem estar pensando “e o tal do dinheirinho que ela quis pra ter essa idéia, pra começar?” Galera, indescritível a sensação de merecer seu próprio dinheiro e poder gastar ele sem culpa nenhuma, sabendo o quanto você trabalhou pra ganhá-lo.

Enfim, como o título do post diz, embora eu fale muito até chegar no ponto, o que eu aprendi com meu primeiro emprego:

Trabalhar duro compensa sim, especialmente pro seu contra-cheque e as oportunidades que podem surgir disso (falarei mais sobre isso em um outro post). Com o passar do tempo – e do trampo – você aaba pegando as manhas e fazendo menos merdinha.

O trabalho dos seus colegas não é mais ou menos importante do que o seu. A equipe como um todo tem que funcionar bem pra que a coisa continue andando pra frente.

Respeito é bom e todo mundo gosta. Então ouça as críticas e as broncas com vontade de aprender a fazer certo, ao invés de fazer cara feia e ignorar. Quem te critica quer ver você crescer, então aprecie isso no seu chefe.

Só porque fulano trabalha com você, não significa que ele não seja uma pessoa divertidíssima. Faz muito bem quem fica amigo dos colegas. Mas lembra de não misturar. Dentro do expediente, é trabalho somente.

Relógio foi inventado por um motivo. Seu horário é algo a ser cumprido.

Não esquece de se cuidar. Só porque você anda ocupado, não significa que não deve fazer outras coisas além de trabalhar. Quem só trabalha e dorme se desgasta, acaba surtando e não aguenta a pressão emocional.

E acima de tudo: aprenda. Toda experiência e todas as pessoas que passam por essa vida tem algo a nos acrescentar. Até as que são “nunca mais faça isso”!

É com esse pensamento que eu passo desse level no videogame que é a vida, e só espero que o próximo chefão seja ao menos tão agradável quanto os meus últimos.


De utilidade pra vida


Sobre ser um adulto

Pois é, agora eu trabalho, sabe.

OOOOOOOOOOOH, FINALMENTE! *deixa pro coro de aleluia*

Eu sei, eu sei, tenho 20 anos, tava passando da hora. E sim, eu já tinha “trabalhado” antes, mas nunca assim, com horário, ter que ir e fazer tudo lá, e voltar tarde, e cansadona, e etc. Então como sempre, minha solução pro cansaço é vir aqui no WordPress pra reclamar com vocês. Porque vocês me entendem, seus lindos.

Menos os vagabundos. Vocês não entendem porra nenhuma.

Mas então, on with the facts. Arrumei esse emprego numa loja. (Não vou publicar o nome da loja, porque tenho medo de ser processada. SOU ESPERTA. Quem sabe, sabe, quem não sabe vai ficar aí, boiando.) Eis que então começa a surgir na minha vida o completamente novo conceito de merecer o meu próprio dinheiro.

Claro, eu já tinha ganhado dinheiro aqui e ali, vendendo uma ilustração ou outra, mas nada grande, e nada que exigisse tempo demais da minha pessoa. Além disso, sempre foi extremamente divertido criar ilustrações que surgiram da cabeça de outra pessoa, e não da minha, só pra ver em que tipo de bizarrice os outros pensam em seus respectivos tempos ociosos.

Eu ainda tô na primeira semana, mas tá aqui uma lista do que eu já aprendi:

  • Se você fez merda, você vai levar bronca;
  • Se você não fez merda, também existe a possibilidade de descobrir que tava fazendo, só não sabia disso;
  • Arrumar bagunça dos outros é chato, porém necessário;
  • Você só aprende fazendo;
  • Dormir é pros fracos;
  • Comer também é pros fracos;
  • Até sentar é pros fracos. (Sim, sentar, numa cadeira, ou até no chão, pelo amor de Deus, só me deixem sentar UM POUQUINHO);
  • Você pode estar um caco, mas tem que aparentar estar dormido, descansado, tomado banho, arrumado, feliz e de bem com a vida, e completamente satisfeito com tudo que está acontecendo no seu dia;

And last, but not least: Você passa a entender porque seu pai achava TÃO RUIM quando você gastava dinheiro à toa. Dá trabalho ganhar ele, galera. É por isso que chamam de “trabalho” e não de “férias remuneradas”.

OH WAIT.

(Concluindo, vocês podem aguardar muitas tirinhas sobre meu emprego, porque cara, vai render, viu.)


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